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Mercados

Ibovespa: o que explica a alta de 12% no ano e o que pode derrubar

Commodities em alta, fluxo estrangeiro positivo e resultados corporativos acima do esperado levaram o Ibovespa a 134 mil pontos. Mas três riscos podem mudar o cenário no segundo semestre.

Por Fernanda Luz12 de junho de 20256 min de leitura

O Ibovespa acumula alta de 12,3% em 2025, chegando a 134.820 pontos no fechamento de quinta-feira. Para quem acompanhou o mercado brasileiro nos últimos anos — marcados por volatilidade política, pandemia e ciclo de alta de juros — o desempenho parece surpreendente. Mas há razões concretas por trás da alta.

A primeira é o preço das commodities. O minério de ferro, que chegou a cair abaixo de US$ 90 a tonelada no final de 2024, voltou para a faixa de US$ 115 em 2025, puxado pela retomada da demanda chinesa. Vale e Petrobras, que juntas representam cerca de 25% do índice, se beneficiaram diretamente.

O papel do fluxo estrangeiro

O segundo fator é o fluxo de capital estrangeiro. Com a perspectiva de corte de juros nos Estados Unidos — o Fed sinalizou dois cortes de 0,25 ponto percentual para 2025 — investidores internacionais voltaram a olhar para mercados emergentes em busca de retorno. O Brasil, com juros reais entre os mais altos do mundo, se tornou destino atraente.

O saldo de fluxo estrangeiro na B3 no primeiro semestre de 2025 foi positivo em R$ 28 bilhões — o melhor resultado desde 2019.

"O Brasil está barato em termos históricos e em comparação com outros emergentes. Mas 'barato' não significa 'sem risco'." — Gestor de fundo multimercado, São Paulo

Os três riscos do segundo semestre

O primeiro risco é fiscal. Se o governo não conseguir controlar o déficit e a dívida pública continuar crescendo como proporção do PIB, o mercado vai cobrar um prêmio de risco maior — o que significa queda de preços de ativos e alta do câmbio.

O segundo risco é externo. Uma recessão nos Estados Unidos — que alguns economistas ainda colocam como cenário de cauda para 2025 — derrubaria o preço das commodities e reverteria o fluxo estrangeiro.

O terceiro risco é político. Com as eleições municipais de 2026 já no radar, o governo pode aumentar gastos para melhorar popularidade, o que agravaria o problema fiscal.

Por enquanto, o cenário-base é de continuidade da alta moderada. Mas o segundo semestre vai exigir mais atenção do que o primeiro.

Fernanda Luz
Analista de Mercados · InlineBR Digital

Especialista em renda variável e análise macroeconômica. Trabalhou em gestoras de recursos por dez anos antes de migrar para o jornalismo financeiro.

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